Carta Aos Socialistas Remanescentes
Aos socialistas remanescentes
venho por essa carta
implorar que repartam
vossa esperança decadente
Sejam mais faméricos poetas!
Declamem Nerudas de amor
e voltem a sentir a dor
dos ladrões de bicicleta
Mastiguem os comedores das voadoras Perdizes
cantem salmodiando a voz dos poetas
que vibram a fome da terra e os gritos do povo
e deixem de olhar a crise
com um catastrofismo esteta
É preciso lirismo para falar da sede!
Lembrem do messianismo latino da voz de Mercedes
e saibam que só assim se distribui a esperança e a alegria
fundamentos da luta por utopia
Ainda não viram?
Não dá certo a demagogia!
se disse o poeta:
"primeiro o pão depois a poesia˜
saibam que só te atravessa essa reta
por que é lirismo e não monotonia
E se o mundo anda sem metáfora
virem a esquerda dele!
Esse é o caminho da diáspora
o ponto fora da curva,
do velho coração que urra
e que se amassa
nos gritos da bizzarria!
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Todo o sangue é vermelho.
Olhai o pobre, olhai o rico,
jovem, se inspirai nos Beatles,
assim não serão ateus...
Jovem, se inspirai nos riscos,
e se inspirará, tu e os teus,
em consequência no Cristo
[os Beatles falam de Deus]
Câmara visionária
de vida silenciada
semeai as bocas miúdas
que não tem miúdos
para ser boca bastada
Dai todo o peixe as ovelhas
dai o dendê as moquecas
serve à coxia do mundo
o grão de alma indiscreta
É semente, arcebispo folião...
No silêncio de sua vigília
Virgílio à Beatriz dá a mão
e te leva para cair na folia
"Acreditai nas esperanças, ó vós que escutais!"
Vêm palavras do bispo vermelho
tintura de todos os meios
corrente dos umbrais.
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