quarta-feira, 4 de maio de 2016

Dois Poemas de Artur Mattar inspirados em nossos ensaios


Carta Aos Socialistas Remanescentes
Aos socialistas remanescentes
venho por essa carta
implorar que repartam
vossa esperança decadente
Sejam mais faméricos poetas!
Declamem Nerudas de amor
e voltem a sentir a dor
dos ladrões de bicicleta
Mastiguem os comedores das voadoras Perdizes
cantem salmodiando a voz dos poetas
que vibram a fome da terra e os gritos do povo
e deixem de olhar a crise
com um catastrofismo esteta
É preciso lirismo para falar da sede!
Lembrem do messianismo latino da voz de Mercedes
e saibam que só assim se distribui a esperança e a alegria
fundamentos da luta por utopia
Ainda não viram?
Não dá certo a demagogia!
se disse o poeta:
"primeiro o pão depois a poesia˜
saibam que só te atravessa essa reta
por que é lirismo e não monotonia
E se o mundo anda sem metáfora
virem a esquerda dele!
Esse é o caminho da diáspora
o ponto fora da curva,
do velho coração que urra
e que se amassa
nos gritos da bizzarria!
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Todo o sangue é vermelho.
Olhai o pobre, olhai o rico,
jovem, se inspirai nos Beatles,
assim não serão ateus...
Jovem, se inspirai nos riscos,
e se inspirará, tu e os teus,
em consequência no Cristo
[os Beatles falam de Deus]
Câmara visionária
de vida silenciada
semeai as bocas miúdas
que não tem miúdos
para ser boca bastada
Dai todo o peixe as ovelhas
dai o dendê as moquecas
serve à coxia do mundo
o grão de alma indiscreta
É semente, arcebispo folião...
No silêncio de sua vigília
Virgílio à Beatriz dá a mão
e te leva para cair na folia
"Acreditai nas esperanças, ó vós que escutais!"
Vêm palavras do bispo vermelho
tintura de todos os meios

corrente dos umbrais.

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